Preservação dos Bens Culturais de Itu

Engº. Jair de Oliveira

 

O Patrimônio Cultural de um povo compreende as obras de seus artistas, arquitetos, músicos, escritores e sábios, assim como as criações anônimas, surgidas da alma popular, e o conjunto de valores que dão sentido à vida, isto é, as obras materiais e não materiais que expressam a criatividade desse povo: a língua, os ritos, as crenças, os lugares e os monumentos históricos, a literatura, as obras de arte e os arquivos e bibliotecas.”

 

(Definição elaborada pela Conferência Mundial da UNESCO sobre Patrimônio Cultural, celebrada no México em 1982).

 

Portanto, compreende-se como Patrimônio Cultural de um povo a intrínseca relação entre o meio ambiente e os seus recursos naturais; o conhecimento acumulado ao longo da sua história, as técnicas, o saber e o saber fazer; e todos os outros bens culturais representados pelos objetos, artefatos, construções, etc., obtidos a partir dos diferentes recursos do meio ambiente e do saber fazer.

 

São, dessa forma, bens únicos, insubstituíveis e inestimáveis, a representarem a sua identidade e o seu caráter, a sua maneira de ser e de agir.

 

Compete à sociedade valorizar e manter essas tradições culturais, a transferir esse legado das gerações passadas às do futuro, colhendo-se, dessa forma, tantos benefícios materiais e espirituais na construção de sua cidadania.

 

E nós, ituanos, depositários que somos de um extraordinário Patrimônio Cultural, testemunhado por sua ímpar formação geológica e por sua paisagem natural diversificada; revelado no seu traçado urbano setecentista e nas suas construções seculares; registrado em seus precursores movimentos políticos e em suas manifestações artístico-religiosas, etc., autêntica expressão da gente paulista, de que modo temos avaliado a sua importância?

 

De que maneira temos compreendido o significado desses bens culturais, preservando e interagindo-os no processo de nosso desenvolvimento?

 

 

Ocorrências da 1ª metade do século XX


Até a década de 1940, a cidade era ainda conhecida como a “Ouro Preto Paulista”, a concentrar no centro histórico muitos conventos e igrejas, centenas de casarões, dezenas de sobrados alinhados na rua do Carmo, no Largo da Matriz, na rua Direita, na rua da Palma e na rua do Comércio.

 

Todavia, a primeira metade do século XX passou a ser caracterizada por negligências e perdas lastimáveis, período que comprovaria os descasos, omissões e quase nenhuma percepção quanto à importância desse Patrimônio, e que perduraria por muito tempo; incendiávamos ou destruíamos:

 

- O Convento Franciscano e as suas igrejas de São Luís de Tolosa e de São Francisco;
- O Seminário e a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte (anexos ao antigo Colégio São Luís);
- O Lavadouro Público do Largo da Caixa D´Água, construído pelo Engº Antonio Francisco de Paula Souza em 1888;
- Casarões, sobrados do Barão de Itaim, da Câmara Municipal e tantos outros.

 

Ao mesmo tempo iniciava-se um processo de conscientização nacional, a reconhecer a importância do Patrimônio Cultural do país. Por iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, presidido então por Dr. Washington Luís Pereira de Souza, e de lideranças do Partido Republicano Paulista (PRP), inaugurava-se em 1923 o Museu Republicano “Convenção de Itu”, organizado pelo Diretor do Museu Paulista, Dr. Afonso D´Escragnole Taunay, de modo a celebrar os 50 anos da Convenção de Itu.

 

Outras ações se sucederam:

 

- Cria-se em 1937 o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional;
- Mário de Andrade resgata o sentimento de paulistanidade, redescobrindo em Itu as pinturas de José Patrício da Silva Manso na Igreja Matriz, e do Pe. Jesuíno do Monte Carmelo na Igreja do Carmo;
- Casarões de partido bandeirista, dos séculos XVII e XVIII são inventariados pelo arquiteto Luís Saia;
- O arquiteto Carlos Alberto de Cerqueira Lemos registra outras casas do período cafeeiro e exemplares ecléticos do início da industrialização, remanescentes no Estado.

 

No 4º Centenário de São Paulo, celebrado em 1954, restauram-se as mais significativas edificações, entre elas a casa da Chácara do Rosário (1756) em Itu!



IPHAN


O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional foi criado em 1937, no Governo de Getúlio Vargas, cabendo ao então Ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, solicitar ao escritor Mário de Andrade a elaboração de um Anteprojeto de Lei para a salvaguarda dos bens culturais do país, e confiar a implantação do Serviço de Patrimônio ao Jornalista e Historiador Rodrigo Mello de Andrade (Belo Horizonte, MG – 1898/1969).

 

Nesta tarefa, desempenhada até o final de sua vida, Rodrigo contou com a colaboração de outros brasileiros ilustres, além de Mário de Andrade, tais como Manuel Bandeira, Afonso Arinos, Lúcio Costa e Carlos Dummond de Andrade.

 

O IPHAN, em um primeiro momento, elegeria o barroco de Minas Gerais como símbolo da Cultura Nacional, contemplando depois muitos outros bens culturais existentes pelos país, assim como se promoveu o tombamento do interior da Igreja Matriz em nossa cidade, já em 1938.

 

CONDEPHAAT

Ocorrências da 2ª metade do século XX

Conservação e impasses

Contribuição exemplar

Ações indispensáveis

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