Fórum Ituano de Museus

 

Luís Roberto de Francisco*

 


Enquanto estudante, jamais fui levado a um museu pela escola, em Itu ou fora da cidade. As únicas excursões que houve foram para parques de diversão. Que escola era aquela?


Itu foi uma das primeiras cidades paulistas a contar com um museu de história. Em 1923 inaugurou-se o Museu Republicano “Convenção de Itu” para ser um “depositário da memória” do Partido Republicano Paulista (PRP), ao tempo, detentor do poder no Estado e na União. Desde aquele tempo se tornou “o museu” para Itu, local de referência, onde estava “guardada” a nossa história.


Mesmo vivendo em uma cidade chamada “histórica” (todas as cidades são históricas, porque cada qual tem a sua história!), nunca visitei o Museu Republicano na condição de aluno (nem no curso superior de História), mas por iniciativa familiar ou própria. Lembro-me da exposição antiga no Republicano: a mesa da Convenção, quadros, fardas, armas de fogo, sabres, enfim, elementos que chamavam a atenção de crianças. Não compreendia, porém o sentido de se preservar, nem mesmo exatamente o que guardava aquele museu-monumento que foi fechado em 1978, para reforma, e só reabriu em 1986. A gente olhava o acervo com um respeito quase sagrado, pois os objetos e documentos preservados representavam algo superior à condição humana, sublimados nas vitrines e no espaço do museu, como um relicário. No momento da reabertura do Museu Republicano, já vivíamos a poucos passos da Constituição de 1988 que trouxe enormes garantias de cidadania, como o direito à memória e ao reconhecimento da própria cultura. A criação do IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus, em 20 de janeiro de 2009, trouxe nova perspectiva para as instituições.


Nas últimas décadas foram criados diversos museus e memoriais em Itu: o Museu e Arquivo Histórico Municipal de Itu – 1989, Museu da Energia – 1999, Museu da Música – Itu – 2007, Memorial da Santa Casa de Misericórdia de Itu, Memorial de Madre Theodora e Memorial do Convento do Carmo. Foram também renovados o Museu de Arte Sacra (1964) e o Museu do Quartel.


A presença de museus evidencia nossa necessidade de reconhecer no passado um significado para o presente. Denuncia também o desejo de ver preservado o patrimônio cultural, produzido em Itu, pelas mais diversas parcelas da sociedade, mesmo que a memória contida nas instituições ainda seja ligada às elites econômicas e culturais.


A perspectiva de transformar os museus de lugar sagrado em local de reconhecimento de cada um como cidadão, espaço lúdico, onde a memória revive e a construção da identidade cultural se faz, não é tarefa fácil. Trazer a comunidade é um desafio a vencer, para modificar aquela imagem que tínhamos dos museus de antigamente. Democratizar o papel dos museus, para preservar a memória de todas as parcelas da sociedade é uma mudança importante nos objetivos das instituições.


Durante a IX Semana Nacional de Museus, em maio de 2011, um encontro pioneiro reuniu agentes de museus de Itu, para apresentar e discutir ações educativas. Naquele momento nasceu a iniciativa local de congregar as unidades museológicas em torno de um Fórum Ituano de Museus.


O ideal é contar com a parceria de escolas e grupos constituídos, para promover ações educativas conjuntas, abrindo mais espaço nos museus para a sociedade. Por enquanto tem contado com participação efetiva dos museus Republicano, da Energia e da Música, que planejam a ampliação do Fórum para todas as instituições existentes na cidade.


O maior objetivo do fórum é criar situações que permitam maior abertura do espaço para a comunidade através de ações educativas, programadas em conjunto, para estudantes e para a comunidade em geral. Só assim os museus podem se transformar em lugares de saber e tornar viva a memória de toda a sociedade.


 


*Coordenador de Acervo e Documentação do Museu da Música – Itu.